Paratleta gaúcho é bronze na Copa do Mundo de paraesgrima na Itália
Cete é base da preparação que mantém atleta entre os melhores do mundo
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O gaúcho Jovane Guissone voltou ao pódio internacional ao conquistar, na quinta-feira (19), a medalha de bronze no florete masculino, classe B, na etapa de Pisa da Copa do Mundo de paraesgrima, na Itália. A competição foi encerrada no domingo (22), garantindo ao Brasil o primeiro pódio no evento.
Com o desempenho, ele assumiu a terceira posição no ranking mundial do florete e ocupa a quarta colocação na espada. Na disputa por equipes, o Brasil terminou na nona posição, resultado inserido no calendário internacional que integra o ciclo paralímpico rumo aos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.
Natural de Barros Cassal e morador de Esteio, o atleta compete na classe B, destinada a esportistas com menor mobilidade de tronco e equilíbrio. Ele disputa as três armas da modalidade, espada, florete e sabre, e mantém presença constante entre os principais nomes do cenário internacional.
A trajetória é marcada por superação. Aos 22 anos, foi vítima de um assalto e atingido por um disparo de arma de fogo nas costas, o que ocasionou a perda dos movimentos das pernas. Três anos depois, iniciou na esgrima em cadeira de rodas e construiu carreira de destaque no esporte paralímpico.
Entre as principais conquistas estão o ouro na espada nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012 e a prata na mesma prova nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. Também soma títulos em etapas de Copa do Mundo e no Campeonato das Américas, mantendo regularidade em competições de alto nível.
Desde 2013, o treinamento técnico de esgrima é realizado no Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete). No local, o atleta desenvolve a preparação específica da modalidade, em ambiente estruturado para o alto rendimento, com condições adaptadas às necessidades de atletas paralímpicos.
Segundo o treinador Jarbas Trois de Avila, a medalha conquistada na Itália tem peso ainda maior por ser a primeira competição internacional do ano para a equipe brasileira. “Uma medalha em etapa de Copa do Mundo é muito difícil de se conseguir, ainda mais no início da temporada, quando nossos atletas começam a treinar depois do calendário europeu”, avalia.
O técnico explica que o planejamento desenvolvido no Cete priorizou ajustes identificados na campanha anterior e definidos como metas para 2026. Ele destaca que, por ser um local público, o espaço permite receber atletas da esgrima convencional, que contribuem na rotina de treinamentos.
“A paraesgrima exige uma estrutura específica. O Cete proporciona acessibilidade, banheiros adaptados, estacionamento e espaços adequados às necessidades decorrentes da deficiência do atleta. Sem essa estrutura, a dificuldade seria muito maior”, afirma o treinador.
A rotina contempla sessões de treinamento técnico de segunda a sexta-feira no Cete, com foco em aspectos identificados na temporada anterior, além de estratégias e simulações de combate voltadas ao alto rendimento. A estrutura oferecida pelo Cete é apontada como elemento importante para o desenvolvimento da modalidade.
A conquista em Pisa amplia a pontuação do atleta no ranking mundial e contribui para a sequência do calendário internacional. “A competição foi muito positiva, tanto no individual quanto por equipes. Seguimos bem posicionados no ranking e focados na sequência da temporada”, avaliou Jovane.
A próxima etapa da Copa do Mundo ocorre na Hungria, em Budapeste, entre os dias 19 e 22 de março. O calendário ainda prevê outras competições internacionais ao longo do ano, além do Regional das Américas, em São Paulo, integrando o ciclo preparatório que antecede o período oficial de classificação para Los Angeles 2028.